14° Congresso da Sociedade Latino Americana de Biomateriais, Orgãos Artificiais e Engenharia de Tecidos – SLABO
(5ª Edição do Workshop de Biomateriais, Engenharia de Tecidos e Orgãos Artificiais – OBI)
20 a 24 de Agosto de 2017 - Maresias - SP - Brasil

Wagner José Fávaro, PhD, Professor de Anatomia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Recebeu seu Mestrado (2006), Doutorado (2009) e Pós-Doutorado (2011) pela UNICAMP. De 2010 a 2012, foi Professor do Departamento de Anatomia Humana do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) em Botucatu-SP. Desde 2012, é Professor Assistente Doutor no Departamento de Biologia Estrutural e Funcional e Coordenador Geral do Laboratório de Carcinogênese Urogenital e Imunoterapia da UNICAMP. Coordenador do Projeto de Cooperação Internacional em Pesquisa e Desenvolvimento pelo Ministério da Ciência Tecnologia (MCTI) com a Eslovênia. Representante titular do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) junto ao Consórcio Brasil – Comunidade Européia, denominado NANoREG (A common European approach to the regulatory testing of Manufactured Nanomaterials) para o desenvolvimento e testes de novos fármacos. Suas áreas de atuação são uropatologia, carcinogênese, imunoterapia, tumores de próstata e bexiga urinária, medicina regenerativa com células-tronco e nanobiotecnologia em oncologia..

 

NANOPARTÍCULA BIOSSINTÉTICA DE PRATA: PERSPECTIVA TERAPÊUTICA PARA O CÂNCER DE BEXIGA URINÁRIA NÃO MÚSCULO-INVASIVO

Wagner José Fávaro

Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Resumo
O câncer de bexiga urinária representa a segunda doença maligna mais comum do trato urinário. Atualmente, a terapia mais eficaz para o câncer de bexiga urinária não-músculo invasivo (CBNMI) é a imunoterapia com BCG (Bacillus Calmette-Guerin) associada com a ressecção transuretral. Entretanto, a utilização do BCG está associada à efeitos colaterais de intensidades variadas, desde sintomas irritativos leves até reação sistêmica grave, o que contribui para a interrupção do tratamento além de apresentar um índice de recorrência pós-tratamento, de até 30%. Desta forma, o desenvolvimento de novas terapias para o tratamento do CBNMI, que sejam mais eficazes e apresentem menores efeitos adversos que as terapias clássicas, são muito relevantes. A utilização de nanopartículas biossintéticas de prata (AgNP) pode constituir uma importante alternativa terapêutica para o CBNMI. Para a indução do CBNMI, 20 camundongos fêmeas da linhagem C57BL/6 foram anestesiados e instilada uma dose de 1,5 mg/kg de N-metil-N-nitrosouréia (MNU) a cada 15 dias, totalizando 3 doses. Os outros 5 animais que não receberam MNU foram considerados como Grupo Controle. Posteriormente, os animais foram divididos em 4 grupos (5 animais por grupo): Grupo MNU (Câncer); Grupo MNU + AgNP 0,5: recebeu uma dose intravesical de 0,5 mg/mL de AgNP por 3 semanas consecutivas; Grupo MNU + AgNP 0,2: recebeu uma dose intravesical de 0,2 mg/mL de AgNP por 3 semanas consecutivas; e Grupo MNU + AgNP 0,05: recebeu uma dose intravesical de 0,05 mg/mL de AgNP por 3 semanas consecutivas. Nossos resultados demonstraram que os animais do grupo MNU + AgNP 0,5 apresentaram 100% de lesões malignas, indicando que a dose de 0,5 mg/mL não foi efetiva em inibir a progressão das lesões neoplásicas. Contudo, o tratamento com AgNP na dose 0,2 mg/mL inibiu a progressão tumoral em 50% dos animais. O tratamento com AgNP na dose 0,05 mg/mL foi efetivo no tratamento do CBNMI quimicamente induzido, uma vez que inibiu a progressão tumoral em 80% dos animais. Assim, pode-se concluir que as AgNP biossintéticas promoveram considerável regressão do tumor de bexiga induzido pelo carcinógeno MNU, principalmente quando utilizada a concentração de 0,05mg/mL, demonstrando-se um promissor candidato à fármaco no tratamento do câncer de bexiga não-músculo invasivo.

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